Essa noite eu tive um pesadelo, está registrados na minha cama que amanhece sem o lençol,, e acordo temeroso, ainda no escuro me lembrei do seu abraço, longo e magro, que me servia de consolo, Também me lembrei do escuro nas noites da minha infância, a lamparina era prenuncio de um perigo, então, “melhor o choro do que a morte”, pensava os adultos, e eu chorava só, o meu choro de criança, ninguém nunca leu uma historia pra eu dormir.
Passo o dia com medo do pesadelo, mas não choro “velhos e homens não choram” velhos não reclama abrigo, eles imploram com os olhos, aprenderam que as palavras são vãs, que vazam a vida. No escuro eu me entrego ao infinito e nele viajo, lá não há o presente, só o passado e de encontro com ele recobro forças, e compreendo os porquês das perguntas sem respostas durante o dia, lá eu encontro o todo seu que ainda está em mim, e que nunca terá fim, voltaremos um dia, talvez, no passado na Arca de Noé, ou num futuro desconhecido, quem sabe numa casa além das estrelas, onde não haverá noites escuras.
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